quinta-feira, 21 de julho de 2016

Tales & Fables: A Ilha Primordial #1

Há muito tempo atrás, quando as planícies de leste a oeste eram povoadas por selvagens, e a civilização, mesmo a dos elfos, era somente um vulto do que hoje é, seres de outros planos vagavam muito mais livremente entre as terras não reclamadas. Elementais da água saltavam das ondas na praia, engolfando as pobres criaturas que ali se alimentavam. Dragões-fada brincavam nos bosques, envolvendo-se nas folhagens e recolhendo preciosas frutinhas, enquanto assistidos por vigilantes dríades. Mephits misturavam-se na lama e vagueavam pelas terras geladas do norte. Celestias e Abissais desciam aos batalhões, lutando pelas suas fileiras, marcando os céus com fogo e luz, com morte e trevas.

Em meio ao novo existia paz.
Em meio ao nada existia guerra.

Nesse mundo, ainda sem espécies nativas dominantes, havia um ilha peculiar, a oeste da região onde hoje encontra-se o grande reino de Havenholm. Em tal ilha, a magia abundava. Não magia como a dos seres fantásticos que invadiam o plano desordenadamente, nem como a magia que regia o tecido da realidade do Material, mas uma magia única e singular. Magia da Criação. Magia Primordial.

Tal magia, provinha de algo além dos deuses. Era derramada sobre a estrutura dos planos, como uma cachoeira de energia, que flui e empoça nos pontos de encontro entre o Primórdio e o além. Ah, o além. Além das fronteiras do multiverso, além dos domínios do reino além deste, além do controle de tudo e todos. E da palma da mão direita do Grande Supremo, a nascente deste rio abre caminho por entre suas linhas, determinando o destino de cada entidade que se move e respira.

Tal magia servia para criar, dar vida e renovar, mas também para destruir, matar e aniquilar. Em mãos leigas era incontrolável, inconstante, louca e complexa. Quem poderia, além do ser sobre todos, controlar este poder? Era algo que Celestiais e Abissais procuravam descobrir, através de pesquisas e rituais, usando da guerra para obter acesso às amostras de sua magnificência, ao passo que impedindo seus rivais de porem as mãos no absoluto. Já o resto do mundo, composto de mortais nativos que lutavam para sobreviver no continente, desconhecia os segredos que se ocultavam além dos limites que seus olhos podiam ver, mas sabia que a grande engrenagem da vida e da morte, não estava sendo movida por conta própria, mas sim por algo maior.

Comandados por deuses ambiciosos, as criaturas envolvidas na guerra digladiavam entre si, matando e morrendo. Num conflito sem fim pelo controle da ilha que manava magia Primordial.
Em meio a isso, uma deva, não conseguia entender as motivações que determinavam tal violência. Ela questionava-se o porquê de Celestiais e Abissais terem quer lutar um contra o outro, como se tal brutalidade fosse algo natural. Respostas como: "é assim que o equilíbrio do universo é mantido" ou "tendências opostas não conseguem coexistir", não satisfaziam seus anseios pela verdade. Ela achava que tudo era um grande jogo, onde os soldados enviados para a morte não passavam de peças num tabuleiro, controlado por deuses apáticos, que desprezavam os sentimentos individuais em prol de seus próprios interesses mesquinhos.

Devas eram soldados de baixa patente no exército dos deuses ditos bons. Não tinham nomes e nem conheciam suas famílias, sendo retirados do seio de suas mães assim que nasciam, para que não desenvolvessem características que os prendessem a algo que não seja seu patrono divino. Eram belas criaturas, de pele e cabelos prateados, possuindo olhos de um brilho intenso, similar ao da lua cheia em seu periastro, além de grandes asas, brancas como a neve.

O método que regimentava a vida dos Celestiais não fazia sentido para a indignada deva. Ela queria ter poder para mudar aquilo, poder para dar um fim aos conflitos e aliviar o pesado jugo que os deuses impunham sobre os seus. Entretanto, para poder fazer alguma diferença, ela precisava ser alguém e não mais um ponto prateado no exército celeste. Ela precisava tornar-se um indivíduo, tornar-se alguém.

" De agora em diante, sou livre, sou única, sou Alice. Lutarei para se fazer conhecer esse sentimento entre meu povo e aos outros além dele. Não descansarei até que os propósitos divinos sejam esclarecidos e o direito de escolha seja instituído. Manterei-me firme diante de qualquer desafio e não cairei jamais no arrependimento. Morrerei pela causa, se assim for preciso. É o juramento que faço. Meu nome é Alice e não me sujeitarei. "

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